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BLOG - O uso dos biomarcadores em Psiquiatria

02Fev2014

Os biomarcadores são definidos como características biológicas que podem ser mensuradas quantitativamente. Assim, podem ser considerados biomarcadores alterações de neuroimagem, desempenho cognitivo, analitos biológicos mensurados no plasma, urina e líquor.

O diagnóstico de condições patológicas, a predição prognóstica, a avaliação dos processos biológicos subjacentes aos transtornos mentais, o efeito das intervenções farmacológicas ou não sobre as doenças e o seu uso como marcador substituto (surrogate marker) são as principais aplicações dos biomarcadores. Em psiquiatria, a busca de biomarcadores é norteada pelo objetivo de aumentar a confiabilidade do diagnóstico clínico dos transtornos mentais, porém, os resultados desta busca ainda são decepcionantes comparados com outras áreas da Medicina. Isso se atribui, dentre outras coisas, ao desconhecimento da maioria dos processos fisiopatológicos primários dos transtornos mentais. Atualmente, o uso de biomarcadores vem sendo avaliado para outras aplicações, como a predição prognóstica e estadiamento das doenças.

Um dos biomarcadores mais avaliados na prática clínica psiquiátrica é a disfunção do eixo hipófise-pituitária-adrenal (HPA) (teste de supressão da dexametasona, cortisol sérico, por.ex.) considerado um importante preditor de maior risco de recorrência de um novo episódio depressivo. Diversos outros biomarcadores já foram avaliados e apesar da baixa especificidade diagnóstica para os transtornos mentais, podem ser úteis na predição prognóstica, como por ex. níveis séricos de BDNF (fator neurogênico) em pacientes tratados com antidepressivos.

No campo das doenças neurodegenerativas, os avanços são ainda maiores. Os biomarcadores peptídeo beta-amiloide, em baixa concentração, a proteína Tau total e a proteína Tau fosforilada, em alta concentração no líquor, refletem características patológicas primárias relacionadas à Doença de Alzheimer e indicam quais pacientes teriam mais possibilidade de evoluir para a doença, segundo recentes pesquisas.

Com relação ao uso de neuroimagem em psiquiatria, podemos dizer que seu uso restringe-se ao diagnóstico de exclusão de causas secundárias dos transtornos mentais. Algum progresso ocorreu no campo das demências e doenças degenerativas e vários grupos de pesquisadores estão voltados para a aplicação nos transtornos afetivos e na esquizofrenia. Determinadas situações podem requerer um exame de imagem cerebral, especialmente da ressonância magnética do crânio, são elas: um primeiro episódio psicótico, a presença de alucinações visuais ou sintomas catatônicos, indícios de alteração importante da personalidade, transtornos mentais resistentes aos tratamentos habituais, dentre outras.

O EEG também pode ser útil no manejo de alguns transtornos psiquiátricos, como na depressão, em que ocorrem alterações na continuidade do sono, desinibição do sono REM e alterações no sono NREM, observados durante o exame.

Todas as pesquisas indicam que num futuro próximo, o uso destas ferramentas irão auxiliar ainda mais a prática clínica.