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BLOG - Ansiedade generalizada: um estado de tensão permanente.

08Jun2016

Tânia tem 41 anos, mora com os pais e não trabalha atualmente. Desde a adolescência, quando tinha que cumprir as tarefas da escola, sentia-se ansiosa,tensa, ficava com diarréia e dor de cabeça e piorava com as críticas dos pais, que a comparavam frequentemente com a irmã. Sua auto-estima era baixa, por isso, tendia a se isolar, tinha poucas amigas e vida social restrita. Como se achava feia, não tinha coragem de se aproximar dos meninos.

Estes sintomas melhoravam em alguns períodos e pioravam em outros, o que prejudicou seu desempenho pessoal e profissional. Por resistência dos pais, apesar de todo desconforto que sentia, nunca havia procurado psiquiatra anteriormente.

Há 6 meses, após uma viagem ao exterior, onde mora sua irmã, entrou numa crise que descreve como a pior de todas, por isso, mesmo sem o apoio dos pais, resolveu procurar ajuda.

Sente-se apreensiva, não fica bem em nenhum lugar, sente o corpo pesado, extremamente cansada, não consegue se concentrar, tem vários episódios diarreicos durante a semana, tem palpitações, está sem apetite, com insônia, tem medo de sair sozinha e pensa que tudo vai dar errado na sua vida, inclusive o tratamento, acha que os remédios vão lhe fazer mal. Nega sentir angústia e depressão, embora tenha breves momentos de tristeza.

Tânia foi ao gastroenterologista que descartou o diagnóstico de síndrome do cólon irritável e todos os outros exames clínicos estão dentro da faixa de normalidade.

Seu quadro sugere o diagnóstico de Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), cuja prevalência é de 5 % durante a vida, é mais comum em mulheres, inicia na infância ou na adolescência e tem um curso crônico, com piora durante períodos de estresse. Geralmente, quem sofre de TAG, também apresenta outros transtornos psiquiátricos correlacionados, tais como, depressão, pânico, fobia social, abuso de álcool e sedativos, dentre outros. Os sintomas físicos são muito comuns nestes casos e os pacientes costumam procurar vários especialistas antes de chegar ao psiquiatra, que precisa estar atento à evolução do quadro clínico e às comorbidades.

É importante salientar que existem tratamentos eficazes, porém estes pacientes costumam resistir bastante aos remédios, exatamente por serem ansiosos e “preverem” sempre desfechos negativos. Por isso, é importante instruir o paciente sobre a sua doença e como agem as medicações no organismo. A terapia, com abordagem cognitivo-comportamental também está indicada e costuma ser eficaz. Recomendo também atividade física regular e meditação.Costuma funcionar!

Obs. o nome usado é fictício, meramente ilustrativo, os dados pessoais foram alterados para não identificar o(a) paciente

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