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BLOG - Estresse no trabalho prejudica o coração

09Fev2017

As doenças cardiovasculares sofrem influência direta do estresse e representam grande risco para a saúde. Elas são as principais causas de morte, com 350 mil óbitos, todos os anos, no Brasil. Entre os problemas mais comuns, estão arritmia e hipertensão arterial, que acometem 47,5 milhões de brasileiros. Por ano, ocorrem 57,5 mil óbitos em decorrência de infartos e 63 mil óbitos por acidente vascular cerebral (AVC).

Diante de estresse extremo, é comum sentir palpitações - batimentos fora do ritmo. Se a alteração cardíaca for confirmada por um eletrocardiograma, recebe o nome de arritmia. A taquicardia, aceleração da frequência cardíaca normal de 60 a 100 batidas por minuto, também é uma consequência.

“O estresse leva a pessoa a ter um estilo de vida não saudável. Gente estressada fica ansiosa. Quem fuma passa a fumar mais, quem bebe passa a beber mais. A maioria passa a comer mais, comer mais gordura, mais açúcar. Isso gera aumento da gordura corporal, dos níveis de colesterol e glicose. Facilita o aparecimento de doenças. Além disso, afeta o sono, uma das coisas mais importantes para manter o sistema cardiovascular funcionando adequadamente", explica o diretor da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Celso Amodeo.

O estilo de vida do mecânico Juliano (nome fictício), 33, mudou depois que foi demitido há um ano. Ele engordou 15 quilos e passou a sofrer de insônia. A empresa onde trabalhou por seis anos demitiu dez mecânicos, alegando contenção de gastos. Juliano era responsável pelo sustento da mulher e do filho. Hoje, o orçamento da casa é baseado na aposentadoria da mãe.

Para tentar ajudar, Juliano trabalha como motorista do Uber. Durante a semana, tenta ignorar problemas como dores nas costas e inchaço dos pés, e roda até 12 horas por dia. No fim de semana, o número é bem maior. Quando trabalhou mais, chegou a 18 horas e conseguiu R$ 380, fora os descontos de 25% da empresa. Com o desemprego, não consegue pagar as mensalidades do consórcio do carro, que é sua principal fonte de renda atualmente.

No Natal do ano passado, começou a sentir dores de cabeça que não passavam com remédios. Quando foi ao médico, descobriu que a pressão estava em 18 por 12. “O médico disse que eu deveria tomar remédios por três meses para tentar baixar a pressão. Eu estou tomando e não consigo baixar mais do que 14 por 12”, explica Juliano. “Eu estou procurando, mas emprego mesmo não tem. Trabalhar no Uber é estressante e pode ser perigoso também. Eu sou um dos quase 13 milhões de brasileiros desempregados que esperam que melhore a situação. Mas não tem perspectiva nenhuma de melhoras nesse primeiro semestre”, lamenta.

ALÉM DA DOENÇA, O MEDO DA DOENÇA

O medo de uma doença grave é o principal motivo que leva as pessoas aos consultórios de cardiologistas. A preocupação surge de palpitações no peito, falta de ar, batimento acelerado, suor frio. Sensação de morte. Esses sintomas são, geralmente, relacionados a problemas cardíacos, mas podem ser a manifestação de um ataque do pânico, também consequência do estresse recorrente.

“A confusão entre doenças psíquicas e problemas cardíacos é conhecida de longa data. Todo cardiologista já atendeu inúmeros pacientes, tanto em emergência quanto em consultório, achando que estavam tendo um infarto, arritmia, mas, na verdade, depois de uma investigação mais detalhada, fica claro que é uma questão psicossomática”, afirma a médica cardiologista do Hospital das Clínicas, ligado à Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Catarina Dias.

A dificuldade de reconhecer a diferença entre o que tem causas fisiológicas e motivações psíquicas acontece porque as sensações são semelhantes. Sintomas comuns são a palpitação e a falta de ar. Pessoas com doenças psicossomáticas relatam que não conseguem respirar e, por isso, puxam o ar com força e de forma mais profunda. “Acontece o contrário com portadores de doenças cardíacas e respiratórias. A frequência respiratória aumenta, eles tentam puxar o ar mais de 20 vezes, que é o parâmetro normal”, explica Catarina.

A pressão do trabalho como bancária, em que sempre era cobrada por resultados impossíveis e sofria assaltos constantemente nos trajetos, levava Sônia (nome fictício), 39, com frequência ao cardiologista. Ela sofria de taquicardia, dor de cabeça e hipertensão arterial. Só que o problema não era resolvido nas visitas ao médico. Quando tomava remédios específicos para o coração, sua pressão oscilava e ela chegava a desmaiar. “Eu ia trabalhar muitas vezes chorando. Ia direto para o cardiologista, vivia na emergência. Tomava remédio para enxaqueca, remédio para dormir. E fui levando assim. Eu insistia na parte fisiológica, não na emocional”, relata.

As crises não pararam. Simultaneamente, a situação no banco piorava. Até que, em 2009, passou por um momento em que não ficaram dúvidas sobre a origem dos seus problemas. “Um dia, acordei de madrugada e estava vendo o jornal de meia-noite. Infelizmente estava falando da crise que começou nos EUA. Comecei a achar que o jornalista estava saindo da televisão e queria me enforcar e comecei a visualizar aquilo, a gritar, gritar. Estava com taquicardia, cortei a tela do apartamento e queria me jogar. Foi uma crise de pânico”, conclui Sônia. Desde 2009, ela passa por tratamento psiquiátrico.

Em caso de presença dos sintomas descritos, faça uma consulta com um médico psiquiatra. Prevenir é sempre melhor que remediar.