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BLOG - Você já deixou de fazer coisas por medo?

15Fev2017

Você já deixou de fazer coisas por medo? 
Se sente desconfortável toda vez que tem uma encontro importante?
Esses comportamentos podem representar um Transtorno de Ansiedade Generalizada, ou TAG, uma das doenças psiquiátricas mais comuns, com uma prevalência em torno de 4% da população no Brasil e pode concorrer para o surgimento de inúmeras outras doenças clínicas, como diabetes mellitus, hipertensão arterial, asma etc. Inicia por volta dos 25 anos, embora possa acometer crianças e afeta 2 vezes mais mulheres que homens.
A seguir, descrevo um caso típico de TAG que atendo no consultório e que além de medicamentos, vem respondendo muito bem ao treinamento mental dos 4 passos.
Amélia tem 58 de idade e é funcionária pública há mais de 20 anos. Convive com a ansiedade desde jovem, por isso, qualquer evento fora da sua rotina sempre foi motivo para aparecerem sintomas como mal estar, suores frios, dor de barriga, taquicardia e um turbilhão de pensamentos preocupantes que a impedem de dormir e se alimentar normalmente, quando está em crise. Além disso, perde a concentração e se esquece facilmente dos compromissos ou tarefas rotineiras. Já desistiu de vários eventos porque, na maioria das vezes, a expectativa gerada por eles, produz um enorme desconforto. Viagens tornam-se um tormento porque além de imaginar que pode acontecer algo de ruim durante o passeio, começa a fazer a mala duas semana antes, temendo esquecer do que vai precisar.
Esse estado de espírito apreensivo rouba sua paz interior na maior parte do tempo e interfere negativamente no seu dia-a-dia, especialmente no convívio com colegas e seus chefes no trabalho.
Com o tratamento medicamentoso, Amélia melhorou muito dos sintomas físicos, porém seu cérebro já está condicionado a manter-se no estado de alerta. Sua amígdala cerebral, estrutura que processa emoções e prepara o corpo para reagir a uma ameaça, é super ativada decorrente da ação da ansiedade desequilibrando no organismo por todos esses anos.
Remodelar esse processo, inclui elaborar os fatos de maneira diferente para ativar outras áreas cerebrais responsáveis pelo equilíbrio emocional e sensação de bem estar.
Vários estudos demonstram que, através da neuroplasticidade cerebral, é possível "despertar "novas sinapses cerebrais, antes desativadas, por meio de exercícios mentais e meditação, por ex., e assim, gerar novas aptidões e novos modelos de respostas.
Um simples pensamento pode gerar a mesma reação corporal que a experiência vivida presencialmente.
Pessoas como Amélia, apresentam sistemas cerebrais "viciados" predominantemente em emoções de medo, angústia, apreensão e tristeza, e por isso, necessitam além das medicações, de uma intervenção integral que inclua um treinamento mental que promova o desenvolvimento de novos modelos de resposta aos estímulos estressantes.
Nesse caso, a paciente está gradualmente criando consciência de como a tríade cerebral, formada por estímulo, pensamento e resposta, interfere na produção das sensações desconfortáveis e por conseguinte, no seu comportamento. Através do treinamento dos 4 passos, Amélia está conseguindo desautomatizar suas respostas às diversas circunstâncias e aos poucos, criando um modelo cerebral baseado na ênfase em valores como autoconfiança, serenidade, alegria e altruísmo, que são mais gratificantes e promovem uma maior disponibilidade para que ela possa vivenciar as experiências cotidianas de maneira plena e saudável.
P.S. O nome citado é fictício, usado apenas para ilustração do caso.
Vera Garcia